sábado, 4 de julho de 2015

Elementos da Educação indicativos Clínicos: Meu Amigo Nietzsche, do Diretor Fáuston da Silva. Por Karla Cerqueira

Elementos da Educação indicativos Clínicos:


Meu Amigo Nietzsche, do Diretor Fáuston da Silva.


Por Karla Cerqueira 




Um curta-metragem brasileiríssimo de Fáuston da Silva: Policial Militar que se formou em Produção Audiovisual.
O curta-metragem que, além de ser grande em produção artística é, também, rico em temáticas, interpela o seu interlocutor a significância do papel da escola, da igreja e da família na educação de um indivíduo, além de provocar reflexão sobre as nossas angústias referentes à educação: o analfabetismo funcional (diz-se daquele que não desenvolve habilidade de interpretar textos e de fazer operações matemáticas, apesar de saber ler e escrever).
Um pouco de drama, um pouco de comédia e contingências, o filme não deixa a desejar, aliás, é uma brilhante produção que se passa em meio à periferia. Ele não retrata somente a violência e a pobreza, vai além, dá um salto ao refletir sobre a educação. Aliás, essa última quando é manca, potencializa os outros dois riscos sociais mais comuns nas periferias: violência e miséria.
Em relação à clínica filosófica, Lucas nos leva a aprofundar na análise de suas formas de percepção e aprendizagem, afetada, até então, por seus níveis de vizinhança definidores de sua autogenia e de seus pensamentos, característica que foi modificada por ocorrência contingencial (encontrar um livro no lixão onde tinha ido para ver um jogo de seus amigos na proximidade), quando, então sua vizinhança passa ser: as personagens, o contexto histórico e as ideias contidas em um livro.
Até encontrar o livro que lhe despertou interesse, Lucas tinha vizinhança bem definida: afetos de familiares, a igreja e uma educação escolar relativamente pobre, contudo insuficientes para elevarem sua capacidade do aprendizado escolar.



Não podemos desconsiderar que ele pode contar com uma representação de peso, uma pessoa que representou de forma figurada “o filósofo clínico” na figura da professora, imaginariamente já no momento clínico de uma indicação, após conhecer a EP do menino Lucas.
- Você precisa ler de tudo que houver Lucas, caso contrário, vai reprovar
Esta simples intervenção fez com que portas fossem abertas na mente de Lucas que, por sua vez, mudou de direção.
A pegada filosófica é que o menino Lucas quer se superar no aprendizado e conhecimento das coisas que são, enquanto a pegada pedagógica é que o fará através de uma escolha, escolhe uma obra que realmente desperta seu interesse: “o Super-Homem LUCAS”.
Quantos Lucas existem que não aprendem apenas por falta de atenção? Ou por falta de interesse ao objeto, ou melhor, interesse ao currículo preestabelecido?

Confira o trailer: