segunda-feira, 27 de abril de 2015

O QUE AFETA A FILOSOFIA CLÍNICA? - Por Marta Claus

O QUE AFETA A FILOSOFIA CLÍNICA?


Muitos colegas me escreveram questionando o fato de que em minhas exposições  só falo bem da Filosofia Clínica. Verdade. Procuro sempre, e em qualquer setor de minha vida, destacar os pontos positivos sobre qualquer assunto, pessoas ou coisas. Mas, ponderei os questionamentos recebidos e resolvi colocar aqui alguns pontos que afetam de forma negativa a Filosofia Clínica.
A falta de conhecimento é o que, em meu ponto de vista, mais afeta a Filosofia Clínica como área do conhecimento. Muitas pessoas criticam sem conhecer o que é, e para que serve a Filosofia Clínica. Dessa forma o debate torna-se vazio.
Por outro lado a postura de alguns Filósofos Clínicos colaboram para essa afetação de forma negativa. Não são claros em suas exposições, muitas vezes nem se expõem e outras tantas correm do debate. Apesar de ter uma linguagem própria, com neologismos e significados próprios, considero que a inadequação da linguagem da Filosofia Clínica à linguagem acadêmica prejudica sobremaneira sua afirmação como ciência o que poderá deixá-la à margem do debate científico tornando-a uma técnica de auto ajuda. A Filosofia Clínica insiste em ser aceita sem adequações e ajustes, o que por sua vez, não combina com seus pressupostos de respeito a singularidade.
Há também a questão da formação do Filósofo Clínico que é um tanto questionável. Deve-se fazer o curso, os estágios e depois ser aprovado por uma comissão de avaliação que nunca viu ou acompanhou o estudante. Me parece contraditório o professor-formador não poder aprovar o estagiário que acompanhou. Seria interessante que a comissão atuasse apenas em casos onde o estagiário se sentisse prejudicado pelo professor orientador. Da forma como está muitos desistem ou migram para outras áreas afins onde a formação é mais aberta e transparente e onde podem utilizar os conhecimentos obtidos no curso de formação de modo “informal”.

A Filosofia Clínica é uma criação relativamente nova e o Brasil um país muito grande, com muita diversidade de opiniões e condições socioeconômicas, o que dificulta ainda mais a organização da classe. O esforço para se adequar a Filosofia Clínica ao discurso científico e para que a mesma tenha a profissão de Filósofo Clínico reconhecida, é uma tarefa árdua. E a Associação Nacional de Filósofos Clínicos - ANFIC, órgão que regula a profissão, ainda não representa maioria dos Clínicos formados em todo país. Há divergências? Sim, mas é esse diálogo que fará o crescimento e a organização da Filosofia Clínica como um todo. Afinal, na democracia devemos ouvir todos os lados, ponderar e, especialmente neste ano de 2015, onde haverá uma revisão do Estatuto do Filósofo Clínico e do Código de Ética, devemos, todos, manifestar nossa opinião e enviar sugestões para o desenvolvimento sadio e promissor dessa profissão, que é fundamentalmente de ajuda ao outro.
Marta Claus
Filósofa Clínica