sábado, 24 de janeiro de 2015

A Filosofia Clínica Brasileira na Espanha - por Marta Claus

A Filosofia Clínica Brasileira na Espanha

Em novembro do ano passado a Filosofia Clínica, representada por filósofos clínicos de todo o país, foi à Universidade de Sevillha na Espanha para ser apresentada a comunidade acadêmica espanhola.
















Na Universidade de Sevilha pudemos aprender um pouco sobre a Filosofia Aplicada espanhola. Seu ícone mais conhecido, o professor José Barrientos Rastrojo nos mostrou a metodologia utilizada e nos contou sobre a trajetória dessa modalidade terapêutica na Espanha. Não diferente da Filosofia Clínica, a Filosofia Aplicada também passou, e ainda passa, pela quase rejeição da academia e a dificuldade da aceitação internacional. No entanto, continua a construir, tal como a Filosofia Clínica, sua caminhada rumo a ajuda ao outro e já conta com inúmeras publicações acadêmicas e vários filósofos aplicados por toda Espanha e Portugal. Tivemos também a apresentação da “terapia orteguiana”, uma linha terapêutica fundamentada no conhecido filósofo espanhol José Ortega Y Gasset, pelo argentino Ricardo Aranovich. Profundo conhecedor da filosofia ortguiana o psiquiatra e psicoterapeuta nos trouxe uma abordagem filosófica aplicada ao ser humano. Durante o seminário também foram citadas as filosofias práticas do americano Lou Marinoff e a do português Jorge Humberto Dias. Todas elas sem grandes aprofundamentos.
A Filosofia Clínica fez uma boa participação nas apresentações de Lúcio Packter, Will Goya e especialmente José Mauricio de Carvalho que levou um excelente trabalho traçando a aproximação da filosofia Clínica com a Filosofia Orteguiana. Em meu ponto de vista, a filosofia Clínica, nos discursos de Will Goya e Lúcio Packter, deixou a desejar pela falta de um discurso acadêmico sistematizado. Para os conhecedores da Filosofia Clínica isso é comum e perfeitamente compreensível, mas para colegas universitários de outros países isso pode ser um ponto de dificuldade na aceitação da Filosofia Clínica como ciência. Também faltou interação entre os estudantes da Universidade de Sevilha e o grupo de estudantes brasileiros, pois do país local só haviam professores. Seria de muita utilidade uma troca mais efetiva. Esperamos que nas próximas jornadas exista essa oportunidade.
Um dos pontos positivos para nós do IMFIC nesta jornada foi a apresentação da Revista Partilhas (www.revistapartilhas.org), a revista acadêmica de Filosofia Clínica do IMFIC, e o pronto aceite do prof. Rastrojo em fazer parte da comissão editorial da referida revista (na foto da esquerda para a direita:  Claus, José Barrientos Rastrojo, José Mauricio de Carvalho, Marcio José Andrade da Silva e Josiane Bertoja). O prof. Rastrojo presenteou ao IMFIC com a revista internacional de Filosofia Aplicada “Haser” que reúne reflexões a cerca da teoria e prática da Filosofia Aplicada em toda Europa. Na ocasião foi lançado o livro “Introdução à Filosofia Clínica e Filosofia Aplicada: avaliações e fundamentações” de José Mauricio de Carvalho, José Barrientos Rastrojo e Lucio Packter. E para os que se interessaram pela Filosofia Aplicada foi disponibilizado o livro “Metodologias Aplicadas Desde a Filosofia: estabelecimentos prisionais, empresa, ética, consultoria e educação” de José Barrientos Rastrojo.    
  
               


     Ao final dos trabalhos, e da ida da Filosofia Clínica à Espanha, fica-nos a certeza de que temos ainda um longo percurso pela frente e muitas ajustes a fazer. Contudo, nos acalenta a certeza de que a Filosofia pode e deve ser utilizada como ferramenta de ajuda ao outro em sua vida cotidiana.

Marta Claus