quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Jesus- por José Mauricio de Carvalho



Jesus

Ele nasceu em Belém e foi criado em Nazaré, uma pequena cidade da Galiléia, há 2014 anos. Muito pouco se sabe, com certeza, de sua trajetória histórica, quase nada de seu nascimento e infância. Seus primeiros anos foram cercados do mistério representado pela enormidade de um Deus que se faz homem. Um acontecimento que desafia a inteligência. Durante sua gestação sua presença ficou restrita à confiança de sua mãe Maria na promessa de Deus. Ela no íntimo aguardou a realização da promessa feita pelo anjo (Lc. 1, 46-55) e depois do nascimento, sem alarde, criou o menino. O Pai carpinteiro lhe deu o nome e o educou na lei judaica. E Jesus, mais tarde, se valeu da imagem desse carpinteiro para ensinar o que toda inteligência procura, o que todo homem aspira conhecer: o princípio fundador de tudo, uma razão segura para viver pode ser chamado de Pai. Onde depositar a crença de que vale a pena viver? O conhecimento do arquétipo que tanto mexeu com os gregos Jesus anunciou de forma simples e fácil: qual é o princípio no qual nascemos e morremos? O princípio é o Pai, podemos chamá-lo assim, o entenderemos melhor assim.
Crescido Jesus deixou a lida diária do carpinteiro depois de ser batizado por João Batista. Trabalhara muitos anos fazendo cidades, mas precisava, depois de batizado, de um tempo para trabalhar o coração das pessoas. Ao aparecer adulto anunciando a boa notícia, uma forma nova de ler a lei judaica, causou desconfiança entre os seus. E havia razão para a desconfiança. Jesus, o filho de José, vinha da Galiléia, de uma cidade pequenina chamada Nazaré. Seu pai era um humilde carpinteiro. Não era nobre, nem sacerdote, nem sequer fora criado nos palácios.
É o nascimento desta criança, cercada do mistério que envolve a aparição humana de Deus, o episódio que celebramos em dezembro. É o natal deste menino simples e pacífico que a humanidade celebra. E por que ainda precisamos celebrar seu nascimento? Porque é para Ele que olhamos quando sentimos a necessidade de recriar e recomeçar. É Ele que veio para renovar para melhor todas as coisas, é Ele a esperança numa fé que livra o mundo da maldade. Esse mundo acordou hoje com mais notícia de corrupção, descobriu assustado a morte de mais de cem crianças por um grupo religioso que diz agir em nome de Deus. Sim, necessitamos celebrar o natal, pois é para esse menino que olha o homem quando sente que precisa de um mundo melhor.
Então que celebremos o Natal, revivamos esse episódio de mais de dois mil anos. Precisamos Vê-lo para enxergar além da rotina, para iluminar além daquilo que se manifesta na fenomenalidade da existência, para encher o coração da esperança de um dia vivermos em paz. Necessitamos Dele para fortalecer a esperança que a vida comum e imanente das coisas não fornece. Precisamos Dele para nos ensinar a ser melhores, para fortalecer nossa fraqueza, para mostrar a rota para um mundo mais gentil, mais justo e fraterno, o mundo que sonhamos em nosso íntimo e uma vez por ano ousamos apresentá-lo aos demais em forma de uma festa: natal.
Para enxergar o sentido desse natalício, para falar do menino que dá ao viver as melhores possibilidades, é necessário acreditar no que o homem pode realizar de melhor.

José Mauricio de Carvalho