terça-feira, 21 de outubro de 2014

PALESTRA DE MEDIAÇÃO DE CONFLITOS EM FILOSOFIA CLÍNICA - Aline Silva

Aline Silva, Especialista em Filosofia Clínica pelo IMFIC/BH profere palestra em Betim/MG


Nos dias 26/09 e 01/10 foi ministrado na cidade de Betim/MG uma palestra com o tema de Mediação de Conflitos na Filosofia Clínica para os líderes comunitários da Associação de Moradores do bairro Capelinha, e para a Guarda Municipal, respectivamente. O evento foi organizado em parceria com o IMFIC, a UBSF CAIC/Capelinha, o Internato de Medicina da Faculdade de Medicina da UFMG e a Guarda Municipal de Betim.
Para chegarmos ao ponto desejado, ou seja, como a Filosofia Clínica realiza a mediação de conflitos, consideramos primeiro o que é o conflito e como ele ocorre. Para tanto, e devido ao pouco tempo disponível, escolhemos a via schopenhauriana através dos conceitos de vontade e representação.

A compreensão e o interesse nos conceitos apresentados foram bastante positivos, especialmente se tratando de um público sem contato com a filosofia clássica. Houveram debates interessantes entre os presentes, além de questionamentos acerca das implicações da visão de Arthur Schopenhauer. É um dado interessante visto que há uma ideia difundida de que a filosofia não é atrativa, amedrontando os graduados nessa disciplina em leva-la à população geral. Dentro da minha experiência com isso, na grande maioria dos casos há sim o interesse, desde que o conceito seja colocado de forma acessível, tanto em termos linguísticos quanto em exemplos de vivências diárias.
No momento seguinte, efetivamente apresentamos as ferramentas da Filosofia Clínica para o processo de mediação, a saber, a escuta radical e a análise da EP. Falamos que, diferente da mediação tradicional, na Filosofia Clínica primeiro escutamos as partes em separado e em total sigilo, de modo a não haver a contaminação do discurso ou o silenciamento de uma das partes em benefício da outra. Frisamos que muitas vezes uma pessoa pode não conseguir se posicionar de uma melhor forma caso esteja na presença da parte conflituosa, o que a faz sair prejudicada do processo – dentre outros diversos exemplos que podemos listar nessa questão.
Salientamos a importância de se compreender o que é dito de forma literal, com o mínimo de interrupções possíveis, para que a ferramenta seguinte, a análise da EP, possa ser feita com maior profundidade. De forma rápida e didática, explicamos o que é a Estrutura de Pensamento com seus tópicos, e como o mediador pode identifica-los na fala do outro através de algumas palavras-chave que surgem na fase da escuta.
Por fim, ao propor o acordo às partes, mostramos como o mediador deve fazê-lo de modo que faça sentido a todos os envolvidos, ou seja, de acordo com os tópicos em comum identificados durante a análise da EP, ou de modo a solucionar o choque tópico que possa estar gerando o conflito.

Tanto os líderes comunitários quanto a Guarda Municipal se mostraram bastante interessados nesse método filosófico-clínico. O Comandante do batalhão presente da Guarda Municipal, em especial, destacou como esse método atende mais ao trabalho diário deles, pois dá mais autonomia ao mediador e toma menos tempo, visto a sua objetividade.