quinta-feira, 5 de junho de 2014

O LIMITE DO INFINITO - Resenha do filme "HER"

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O Limite do infinito.










Resenha do Filme “Her”


Publicado em escrito, dirigido e produzido por Spike Jonze. O filme é estrelado por Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wilde, e Scarlett Johansson como a voz de Samantha, em 2013. O filme gira em torno de um homem que desenvolve uma relação com um sistema operacional inteligente de computador (OS).
             A tecnologia aparenta substituir qualquer necessidade do outro, computadores que compreendem e funcionam com base em comandos de voz, simuladores, uma inteligência artificial e, ainda mais, um sistema operacional capaz de personificar um ser ideal para relacionar-se com o individuo.
Tais características estão presentes no filme Her (dela) ou (ela), e estas mesmas não fazem tanto da realidade contemporâneas.
           Embora apresentado tal cenário fictício, o longa aborda, principalmente o sofrimento causado por expectativas e ideais humanos, dentre eles, a busca pela perfeição.
Segundo Manuel Castells:
“A Internet é a infraestrutura de nossas vidas. Somos anjos e demônios. Viver na internet tem um perigo; nós mesmos.”
          O mesmo se aplica ao cenário apresentado no filme, onde Theodore, carregado de um passado conturbado e decepcionante, alimenta-se das tecnologias oferecidas para mascarar sua solidão. Contudo, esta hibridação de corpo e artifícios tecnológicos, ao em vez de desapropriar a personagem de sentimentos, acaba lhe despertando sensações há muito não vividas.
          O sistema Operacional, pensado e desenvolvido para projetar uma “imagem” perfeita para cativar tão vulnerável personagem. Precisa e mutável a todas as situações, Samantha apresenta-se convicta que sempre lhe será acrescentada informações e dinâmicas que lhe compreendam o infinito. Isto é possível? Chegará um tempo em que todas as percepções humanas lhe serão conhecidas?
Segundo Fredech Nietzsche em A Gaia Ciência:
“[“...] E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência [...]”.
           Não há como uma criação humana ser tão complexa e perfeita para alcançar o infinito sendo que o homem é fadado a finitude e a ciência é fadada a ser pensada pelo homem.


Karla Cristina Cerqueira e Sanchel Cotta, maio de 2014.