quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Nomades em mim - por Elizabeth Alves



Nômades em mim*

       Nas muitas que sou, ainda me busco e quando me sinto perdida, é a elas que recorro, na tentativa de resgatar algo de mim em tantas circunstâncias... Sei que é a mesma estrada, apesar das muitas placas e diferentes sinalizações, apesar de algumas partes serem asfaltadas e outras de chão cru. E é ainda nesse resquício de consciência, ora como águia a sobrevoar a planície, ora tal o urubu espreitando meus cadáveres caídos nos precipícios, que ainda sinto que posso encontrar algo de mim além do fenômeno.
         Sim, eu sei que ainda é a mesma estrada. E é porque existe um começo. E becos. E esquinas. E bloqueios. E esta talvez seja a minha salvação: a consciência dos meus papéis na tradução dos meus submodos. E humildemente, recolho a águia e o urubu, porque são meus instrumentos de vôo. E com as mãos, junto um pouco da poeira do chão, só para lembrar que ainda é a mesma estrada em direção ao desfecho das muitas possibilidades daquilo que sou...

*Elizabeth Alves
Especialista em Filosofia Clínica
 coordenadora do curso e Especialização em Belo Horizonte
Professora de Inglês