segunda-feira, 8 de julho de 2013

O EXISTENCIALISMO - Roberto Gonçalves

O EXISTENCIALISMO

por   Roberto Gonçalves 
Estudante de Filosofia Clínica   - Escritor  
Belo Horizonte - MG


        O Existencialismo é um movimento filosófico do século XX, cuja origem pode ser das obras de Kierkegard, filósofo dinamarquês do século  XIX, pessimista e irônico. É um movimento complexo, não é possível definí-lo apenas como filosofia do vivido; sua terminologia é frequentemente vaga e imprecisa. Kierkegaard era teólogo, protestante; sua obra, descoberta pelo alemão Heidegger, atendia aos anseios da época, após a primeira grande guerra, quando um pessimismo intenso atingia os pensadores.
            Mas Sartre, francês e independente do pensamento alemão, também fez uma filosofia existencialista, o mesmo acontecendo na Rússia (onde a obra de Dostoiéwisk exerceu grande importância) na Espanha. (Unamuno) Pode-se dizer que "Kierkegaard renaissance" foi acompanhada de movimentos de todas as espécies. No existencialismo cristão há uma união entre Deus e a existência, isto é, a existência é a vocação essencial da transcendência religiosa; fundar filosoficamente a "pessoa" é capacitar invocação religiosa. Penetrar no âmago da existência concreta é captar a contradição que ela é, sentir a existência na sua situação de realidade consigo mesmo e em conjunto com a transcendência. A existência é um elo de encarnação, e participações, que participa do ser, e o transcende. É a presença de Deus no eu, da colação, do indivíduo singular diante de Deus. Procurar Deus é decidir de si mesmo, e procurar a si mesmo é encaminhar-se para Deus. Estes dois movimentos estão empenhados  necessariamente. A verdade do homem só é conquistada quando ele procura se entregar a Deus.
               Como a verdade do homem só é conquistada quando ele procura se entregar a Deus, a verdade de Deus se revela autêntica no existencialismo humano. Coloca-se também a luta contra um anonimato, contra a massificação, contra o convencionalismo. Ser si mesmo, e somente si mesmo, a conquista da pura autenticidade. Ser si mesmo é viver intimamente, desesperadamente, a existência quebrada no seu contínuo problematizar-se. A existência é o problema perpétuo entre dúvida e certeza. Concluindo-se: para o existencialismo, o existente (o homem) não tem a existência, mas é a existência. Se possuísse a existência, esta faria parte de uma essência que definiria a natureza humana, porque esta se define a si mesmo. Todo existente é a sua existência. Todo homem não é uma essência existenciada, mas uma existência que dá a sua parte à essência. O homem existe, não é; é aquele que se cria existindo: a sua existência coincide com a temporalidade. O homem é a sua liberdade. O homem está ligado ao mundo e aos outros homens, é o SER puro da existência humana, ligado ao mundo e empenhado na vida, é uma historicidade absoluta, da qual não se deve "evadir".
               Gabriel Marcel considera a sensação como sendo o sentir fundamental, a imediata participação pela qual entramos em contato com a morte, esta imediatez suprime o real - Sujeito - Objeto, do objeto como sendo algo para fora de mim - deixe-se apenas conhecer a realidade que nos é dada imediatamente. Não posso pensar o Nada, porque se eu o penso e o faço, sou um objeto exterior a mim. O meu corpo não é pensável, pois se o fizesse eu o negaria sendo MEU; eu sou um eu encarnado. Eu existo, e existe o Mundo com que realizo relações sentidas. O existir, o reconhecimento de um mistério, é um mistério, e um mistério deve-se apenas aceitar. Há o perigo de
se renegar a participação EU-MUNDO. Eu tomar o EU estranho a mim (e com isso o Mundo).Tem-se que lutar para que isso não aconteça, e só a luta é a confiança num princípio superior (Deus) que consegue vencer.
                Sartre - o existencialismo sartriano é também ontologia, análise e sentido do ser - mas o Ser é sua razão sem causa e sem meio. É a redução da existência a ação, ao ATO - a causa superior é sempre de um objeto - este conhecimento porém é sempre é ele próprio um objeto (versus-idealistas), um modo de ser do sujeito que conhece. Há um ser de consciência (pour-soi) mais ou menos com o mesmo movimento perene - devir Hegeliano que se dirige a um ser EN-SI.
               O En-Si para Sartre é apenas - nem ativo, nem passivo. É uma massa empastada de si mesmo. A consciência é uma manifestação do ser em si puro, matéria. O Nada é uma realidade do ser em si com "pour soi". O cansaço se tornando pleno torna-se NADA. Assim o nada "é". E a nossa reação diante de uma morte que um NADA, é o vômito. O homem sartriano é a nausea, a matéria, ser eterno, devir.

texto retirado do site