terça-feira, 30 de julho de 2013

INFORMAÇÃO DIRIGIDA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O AMOR

INFORMAÇÃO DIRIGIDA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O AMOR

Marta Claus

Muitos de nós, já sabemos o que é a filosofia clínica, quem é o filósofo clínico e o partilhante. Mas, e o amor? ...E aí vem a pergunta, o que tem a ver o amor com a filosofia clínica o filósofo clínico e o partilhante? Bem, se sabemos, ou pensamos que sabemos o que é o amor talvez fique mais fácil estabelecer uma relação entre todos. Então, rumo ao amor!
Após atender a alguns partilhantes com mal-estar existencial causados por questões amorosas percebi que esta questão vai além da clínica. Como assim? Vejamos: o amor aparece em nossas vidas (ou não), muitas vezes (ou não), trazendo-nos mal-estar ou bem-estar; isso de acordo com o papel que  exerce em nossa existência e pela experiência que nos traz. Se reforçássemos alguns pré-juízos poderíamos dizer que o amor é de fundamental importância na vida do ser humano. Mas, o que é isso, o amor?
(...)
O amor é um sentimento
Que nasce num momento
De suave inspiração!

O amor é deslumbramento
É tristeza e padecimento
De um pobre coração!

O amor é alegria
E às vezes nostalgia
De quem ama, chora e padece...

Mas, jamais esquece
O amor,
Eterno amor...
(...)

Pois bem, será? É difícil dizer.
Para poder ajudar aos meus partilhantes (e a mim mesma) forcei-me a ir mais longe um pouco. Aí apelei para filosofia. Retornei aos gregos antigos. Na antiguidade clássica, no período pré-cristão, o amor não era visto como algo separado do corpo. Era algo que tinha moradia na própria alma, fazia parte dela. Possuía três dimensões: uma correspondia ao estômago, outra à mente e outra ao coração, eram eros, filos e ágape.
“Eros” ou erótico, como se conhece hoje, dizia respeito a todos os apetites físicos humanos. O apetite pela comida e bebida pertencente à dimensão do estômago era erótico, assim como o apetite pelo sexo, que assim era considerado por ser também um apetite com o mesmo julgamento de valor da comida (será que foi daí que surgiu o conhecido “jargão” fulano comeu sicrano?). “Comidas” a parte, somente após o advento do cristianismo, é que o amor erótico passou a ser visto de forma diversa das outras dimensões do amor e tido apenas como amor sexual. 
“Filos” pertencia à dimensão da atração filial, fílica. Podia se manifestar em um amor intelectual, ideal, de forma não sexual. Quem ama seu trabalho, tem uma relação fílica por ele, quem ama uma paisagem também, quem ama a vida idem. Uma das expressões mais belas de amor fílico é a amizade. Como a Filosofia, ou seja, amizade pela sabedoria.
“Ágape”, a terceira forma de amor era, para os gregos antigos (e também de acordo com os meus pré-juízos) a mais nobre delas. È o amor que não quer nada em troca. È o que dá sem querer receber, o que emana do próprio espírito e que exclui o eu da equação. Este pode reafirmar eros e filos, é altruísta e só causa o bem. É ele que torna possível o amor divino e o amor à humanidade.
(...)
Voltemos agora à filosofia clínica, ao filósofo clínico, ao partilhante e a relação deste com o amor. Qual será o amor que sente, ou o que não sente, o filósofo clinico, durante o processo da clinica filosófica, pelo partilhante? Ôps! É preciso mesmo pensar nisso? Claro que não. São só conjecturas... Acabou-se o que era doce? Não necessariamente. Cada filósofo clínico, cada partilhante que pense qual o amor e de qual forma quer vivenciar o mesmo, se quiser vivenciar algum...
Fica aí, uma provocação. Se quiser amar, ame. Se quiser pensar, pense. Se quiser nada fazer, nada faça. Mas, fica a pergunta: o que tem a ver o amor com a filosofia clínica o filósofo clínico e o partilhante?