quarta-feira, 28 de novembro de 2012

SEMIOSE E A PLASTICIDADE EMOCIONAL


SEMIOSE E A PLASTICIDADE EMOCIONAL

Tânia Elias de Jesus
Especialista em Filosofia Clínica 
IMFIC-  Uberlândia


Introdução

Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase ‘se eu fosse eu’, que a procura do papel se torna secundária, e eu começo a pensar. Diria melhor, a sentir.1

Esse pequeno trecho do poema de Clarice Lispector permite uma reflexão importante, que é o fato de a pessoa ser ela mesma e, nessa condição, sendo ela mesma, se conhecendo e se mostrando, como se dá a sua percepção de mundo? Ou ainda, como o mundo lhe parece? Quais os recursos esta pessoa utiliza para estar no mundo? E mais, como se expressa, ou seja, qual o dado de Simeone, se houver, é mais comum na externalização de seus sentimentos? Esteticamente falando, como se dá a plasticidade de suas ações e expressões?
Estas são questões importantes discutidas pela Filosofia Clínica e que serão abordadas no decorrer deste texto. Para tanto, serão utilizadas como fio condutor três obras importantes, a primeira, O Mundo Como Vontade e Representação,2 de Schopenhauer, esta é uma obra primordial para a Filosofia Clínica, pois este filósofo desenvolve o pensamento de Protágoras e sua teoria, que é a base dos ensinamentos de Lúcio Packter. A segunda obra é a do filósofo Michel Foucault, As Palavras e as Coisas3 que discute a questão da linguagem e suas variações no que tange a história e as coisas, este livro é importante para esta discussão, pois além de tratar da linguagem, aborda a questão estética. E por fim, a obra de Lúcio Packter, Semiose: aspectos traduzíveis em clinica4, em que o autor trata das possíveis formas utilizadas individualmente para extravasar sentimentos e emoções; ademais serão utilizadas as obras inerentes à Filosofia Clínica e seus respectivos autores.
Para Arthur de Schopenhauer, que viveu no século XIX, o mundo como é percebido pelo sujeito não passa de uma representação, ou seja, esse filósofo defende que cada indivíduo vê o mundo de modo singular, de acordo com aquilo que lhe oferecido pelo meio em que está inserido. A partir de suas percepções, o sujeito constrói a sua concepção de mundo, segundo aquilo que compreende. Para tecer sua linha de raciocínio, Schopenhauer parte da filosofia kantiana e analisa dois conceitos importantes defendidos por Kant, que são: o numenon, ou a coisa-em-si e o fenômenon que é o fato capaz de ser percebido e compreendido pelo sujeito cognoscente. Esse filósofo sustenta que nenhum objeto que é conhecido tem uma realidade em si, pois sendo representação, qualquer elemento está sempre sujeito às condições gerais que são determinadas pelo tempo, espaço e causalidade; que em contrapartida, são pertencentes ao fenômeno, pois não passam de formas de conhecimento. Kant defende ainda, que tudo o que o sujeito tem acesso é representação, ou seja, tudo aquilo que afeta a sua capacidade receptiva ou intelectual se dá na condição de representado e essa é a base do pensamento schopenhariano. Ele interpreta a filosofia kantiana e, ao seu modo, estabelece uma nova leitura.
Schopenhauer compreende e defende que o mundo seria a síntese da realidade externa e daquilo que a consciência humana consegue abstrair, ou seja, o mundo como está posto, com toda sua solidez, depende da percepção para sua existência de fato. Assim, ele estabelece dois conceitos importantes, Vontade e Representação. Esses conceitos são fundamentais para estruturação do seu pensamento. Ele explica que enquanto a Representação é o modo como o mundo aparece ao homem, a Vontade é o mundo vivido, mas não visto, isto é, são as vivências do sujeito e a própria coisa em si.
A Representação se estrutura em dois pontos importantes, que são o sujeito e objeto. Sendo que o primeiro, é o indivíduo com possibilidades de conhecimento, e o segundo, é aquilo que pode ser conhecido, claro que dentro do espaço e do tempo. O sujeito para executar a ação de conhecer deve estar fora do tempo e deve ser uno, pois é ele quem abarca todo fenômeno que se apresenta; e se esse sujeito deixar de existir, tudo o que o seu ser comporta como representado se esvairá. Por sua vez, a vontade é a afirmação da vida, sendo que o mundo e o homem se revelam a partir da própria vontade e, segundo o filósofo, a vontade não se submete à razão.
Michel Foucault na obra As Palavras e As coisas faz uma análise da natureza humana e discute a instabilidade do homem na condição de objeto das ciências humanas, especialmente da filosofia, oberva que esta última, propõe a análise de problemas e possíveis respostas, entretanto naquilo que se refere ao homem, torna-se um terreno infértil. Segundo a sua compreensão, por mais que a filosofia discuta a condição humana, há diversas ordens do saber e muitos modos de se estruturar o pensamento; assim, não é tão simples tabular e classificar o homem. Ora, de tal modo, deve se considerar muitas outras sutilezas, entre as quais sua história e seu modo de se expressar, especialmente por meio da arte. A obra As Palavras e as Coisas em toda a sua extensão, contribuiu, sobremaneira, para a execução deste trabalho. Entretanto, o primeiro capítulo será discutido com mais vigor, pois além de tratar da esteticidade, ali o autor faz uma análise detalhada do quadro de Diego Velázquez, com objetivo de compreender e interpretar a obra do pintor espanhol. Segundo sua interpretação, a pintura, na realidade, é a representação da representação, isto é, como se ali estivesse uma interpretação do que já foi interpretado. A obra velazqueana é bastante complexa, e é considerada por Foucault, um modo sutil de linguagem, porquanto diz muito nas entrelinhas. Ou seja, Velásquez, arguciosamente, deixa transparecer muitas mensagens em signos que devem ser interpretadas.
Por fim, para se estabelecer uma junção entre as duas primeiras obras e compreender como é possível o trabalho da Filosofia Clínica por meio da esteticidade e da utilização dos dados de semiose, serão utilizadas as questões tratadas por Lúcio Packter em sua obra Semiose: aspectos traduzíveis em clinica, cujo conteúdo, alerta para as diversas possibilidades de semiose e suas combinações. Packter sugere ainda, como o filósofo clínico pode fazer traduções seguras que contribuirão para uma melhor resolução dos problemas apresentados durante o processo terapêutico.




O Mundo Como Vontade e Representação Para Schopenhauer:

Schopenhauer é incisivo quando afirma que ‘o mundo é minha representação’, para ele todo ser humano, estando inserido no mundo em plena condição de pensamento, é capaz de representar o mundo. Ele afirma que nada existe de fato, apenas a capacidade que os seres utilizam para perceber. No caso do ser humano, de abstrair por meio de sua percepção o mundo que se apresenta, ou seja, aquilo que é captado pela visão, o som que chega pelos ouvidos, as mãos que tocam, a pele que sente, o paladar que distinguem os gostos e sabores, as papilas alfativas que aspiram diversos cheiros oferecidos pelo entorno. Enfim, essa capacidade de abarcar o que é apresentado e o mundo que cerca o sujeito, é, segundo Schopenhauer, os recursos necessários para se criar a representação.
Este filósofo parte da obra kantiana para estabelecer a sua linha de raciocínio. Kant defende que o mundo é dualista. Então para ele a realidade é composta de fenômenons e numenons, sendo que o primeiro é o que é possível ser experimentado e sentido pelo sujeito, ou, o mundo fenomênico. Nesta relação o indivíduo percebe, absorve e assimila o que fenomenicamente se lhe apresenta, enquanto o segundo é o incognoscível, aquilo que não permite a experimentação, nem o conhecimento, é o que Kant denomina a coisa-em-si, que independe da relação com o homem.
Partindo desse pressuposto, Schopenhauer concorda com a teoria kantiana no que tange aos fenômenos e a coisa-em-si. Defende também, ao seu tempo, que o mundo sendo representação, é composto de sujeito e objeto, e estes são inseparáveis. Ele esclarece que o objeto se constitui a partir do tempo e do espaço e necessita da capacidade de abstração subjetiva do sujeito, pois sem esta percepção, não existe de fato. Schopenhauer ainda afirma que é possível à consciência alcançar a coisa-em-si, entretanto, isto se dá, a partir do instante em que se uni à vontade, que para ele é a própria coisa-em-si. A vontade seria um impulso meio irracional que desperta, por exemplo, o desejo pela autopreservação e a sobrevivência. Entretanto, essa vontade também é responsável por dores e sofrimentos, uma vez que causa desejos e aspirações, também provoca frustrações quando os anseios não são satisfeitos, logo, o sujeito fica susceptível ao sofrimento, e esse é um caminho inevitável, segundo a opinião de Schopenhauer. Para uma melhor compreensão tratar-se-á os dois conceitos de modo mais específico.

Representação:
Schopenhauer é contundente quando afirma que ‘o mundo é minha representação’. Assim, o mundo existe como objeto em oposição ao sujeito, entretanto, mesmo sendo opostos, estão em constante relação, não podendo ser desvinculados. Esta compreensão é essencial, porquanto a distinção entre o sujeito que se posta na condição de ‘percebedor’ tem a possibilidade de abstrair por meio de suas percepções o mundo. Sob esta perspectiva, esse mundo torna-se o objeto, porque apesar do homem estar inserido no mundo, há uma relação distinta no momento da abstração. É como se o sujeito ‘pegasse’ o mundo para si e dele separasse as partes, segundo seu interesse e compreensão. Assim, um mesmo fato é apreendido de modo diferente por diversas pessoas. Basta analisar duas narrativas apontadas de um mesmo episódio, normalmente, se relata o mesmo acontecimento, entretanto há nuanças diferentes. É como se algum detalhe do fato afetasse mais um sujeito que ao outro. De tal modo, pode se pensar que uma pessoa abstrai à sua maneira, portanto, segundo a sua percepção. Conclui-se, a partir dessas considerações, que o mundo não se apresenta do mesmo modo para as todas as pessoas, ainda que aparentemente seja o mesmo. Há algumas figuras5 que demonstram isso, como o exemplo a seguir:
Figura 1 Figura 2 Figura 3
bagagemdecamila.blogspot.com z3.invisionfree.com psi10.webnode.com.pt
São imagens que para serem decifradas e compreendidas, normalmente dependem da agudeza do indivíduo, pois permitem uma ou mais interpretações, há pessoas que não conseguem distinguir mais de uma imagem. Por exemplo, na primeira figura, há um saxofonista e um rosto, alguns conseguem apontar as duas efígies, outros conseguem ver apenas uma ou outra figura, e o mesmo acontece nas imagens seguintes. Isto se dá, em função da capacidade de abstração do sujeito. Há de se considerar que cada indivíduo tem realidades emocionais e intelectivas, prejuízos e preconceitos; e há ainda, tantas outras propriedades que compõem sua condição de homem que o faz único em seu entendimento. Diante disso, a interpretação e abstração do mundo acontecem de modo muito particular, daí o pensamento schopenhaueriano. Carlos Drummond de Andrade faz uma reflexão a respeito, e questiona qual a verdadeira possibilidade de existência do mundo se não houver a percepção de sua existência, conforme retrata em sua poesia A Suposta Existência:
Como é o lugar
Quando ninguém passa por ele?
Existem as coisas
sem ser vistas?
O interior do apartamento desabitado,
a pinça esquecida na gaveta,
os eucaliptos à noite no caminho
três vezes deserto
a formiga sob a terra no domingo,
os mortos, um minuto
depois de sepultados,
nós, sozinhos no quarto sem espelho [...]6

Drummond, provável leitor de Schopenhauer e Kant, faz uma interpretação poética da questão. Entretanto, perscruta bem, quando inquire “como é o lugar quando ninguém passa por ele?” Assim, em seu questionamento, sugere que o mundo só terá uma existência de fato, a partir da representação do sujeito.



Vontade:
Schopenhauer entende que é a vontade que decifra o mundo. Para ele é o que há de mais essencial, pois está presente em todos os seres viventes, mesmo os que compõem os reinos vegetais e minerais. E todos manifestam um mesmo desejo que não cessa jamais, isto é, a continuação da existência e a autopreservação. Assim, ele sustenta que a vontade é o elemento mais consistente do espírito e é, também, o principio essencial da natureza. Desta maneira, de acordo com sua interpretação, o corpo é o objeto imediato e mediato. Ou seja, o corpo é utilizado pelo sujeito como ponto de partida para o conhecimento, a porta que dá acesso à vontade; ou, o corpo é o objeto que retira do mundo suas impressões e as guarda, sob esse aspecto, ele é instantâneo, consecutivo, nessa relação, não há permeações, é uma relação direta, imediata. Após esse processo, o sujeito demonstra a vontade por meio de sua ação, porquanto, se distingue do restante dos objetos que compõem o mundo, assim ele media a vontade, ação e movimento. Esse processo coloca o homem na condição de individuo que desenvolve a capacidade de conhecimento, possibilitando o entendimento do mundo que se apresenta, permitindo assim a sua apreensão, destarte, se desenvolve a vontade que é coisa-em-si, ou essência do fenômeno.
Mas Schopenhauer adverte que pelo fato do mundo ser composto essencialmente pela vontade, acaba por se tornar um lugar de sofrimento, uma vez que a vontade pressupõe desejo, e este, por sua vez, desencadeia buscas e anseios realizáveis ou não, portanto capaz de trazer a felicidade ou a frustração. O filósofo, então, salienta que a necessidade desencadeada pela vontade torna-se o mote da vida e de inúmeros sofrimentos que são causados pelos anseios não satisfeitos. Afirma que mesmo quando há saciedade do desejo, há uma tendência em sucumbir ao tédio, porquanto, ainda que haja saciedade, há também uma disposição ao desinteresse pela coisa conquistada e em seu lugar surgem novas aspirações e novas veleidades. Sob esse aspecto, a vontade apesar de sua pertinência e importância, torna-se origem de todos os males. Portanto, para evitar esses males, uma alternativa, seria o aniquilamento da vontade, pois a renúncia possibilitaria o sossego da alma.


Análise de Michel Foucault em Palavras e as Coisas
A correspondência entre nomes e coisas tornou-se algo importante depois da instauração da linguagem. Desde Platão que essa discussão mostrou-se relevante, isto é, a questão dos sons e suas correspondências. Na obra Crátilo7, Platão aborda justamente as possibilidades dos sons e como eles se transformam em palavras e, por fim, como essas palavras são correlacionadas a determinados objetos, sentimentos ou ações. Ele esclarece como que determinados sons já tem uma tendência natural, como é o caso do som do “erre” que, segundo Platão, denuncia o movimento que corre nas coisas. De tal modo, esse filósofo esclarece que há uma relação de semelhança entre natureza e linguagem. Ainda no Crátilo, ele explica que a linguagem tende a tocar as coisas naturalmente e até mesmo interpenetrá-las, tanto na questão física quanto semântica. Deste modo o poder da linguagem seria hercúleo, porquanto seria capaz de sair de si e tocar o real.
Foucault adverte que é possível pensar diferente do modo que se pensa e, portanto é possível perceber diferente do que se vê. Para tanto, não se pode parar de olhar e nem de refletir. Importante salientar que o ato de refletir, se dá no mesmo movimento feito pelo espelho, ou seja, refletir, cuja origem etimológica remete ao termo – reflectere – que vem do latim, em sua tradução para o português significa ‘ir à coisa e voltar a si’. Igualmente o ato de refletir é composto por esse movimento, ou seja, sair de si, ir à coisa, efetuar a abstração e voltar à origem. Foucault considera e analisa o ponto de vista de Platão, porém faz um convite à reflexão quando discute a questão da representação e da linguagem, questionando o aspecto da semelhança, pois para ele, essa é uma questão polêmica. Conforme seu pensamento, o que se abstrai da coisa, nem sempre é processado pela linguagem, e mesmo que isto aconteça, não há uma certeza de que a transposição do fato corresponde ao que se apresenta. Sob esse prisma, o que Platão defende se afasta completamente do pensamento de Foucault, que entende que o signo verbal pode ser arbitrário e descrever algo que não corresponde à realidade do que foi percebido, sob essa égide discute a questão da semelhança. Conforme segue:
Vê-se que a experiência da linguagem pertence à mesma rede arqueológica a que se pertence o conhecimento das coisas da natureza. Conhecer essas coisas era patentear o sistema de semelhanças que as tornavam próximas e solidárias umas às outras.8

Assim, a representação na época de Platão, segundo o entendimento de Foucault, seria uma identificação com a realidade, isto é, uma repetição, uma cópia. Essa consideração é importante, pois em As Palavras e as Coisas, ele procura entender a história por meio da representação, discutindo a questão epistemológica no período pré-clássico e clássico, enfatizando as diferenças ocorridas em cada época. Faz uma análise da história e conclui que a ideia de representação do real se dá no período que compreende os séculos XVI ao XIX. De tal modo, avalia que antes não havia uma distinção de eventos e coisas, isto é, tudo o que existia fazia parte de um grande aglomerado, inclusive o homem, que não era distinto do restante; como se cada coisa existisse em função de outra, e assim sucessivamente. Havia uma similitude em tudo, e esta, era a forma do saber, ou seja, por meio da semelhança e da aproximação, como sugerido por Platão. Isto se dava de quatro modos, pela convenientia, ou vizinhança, que seria a aproximação gradativa, e assim, as coisas acabavam se ajustando, como por exemplo, o corpo e alma. Outra possibilidade, era pelo aemulatio, que seria uma semelhança distante, como o intelecto do homem, que aparenta toscamente a sabedoria divina, lembra, mas de uma forma grotesca, causando assim um desejo por parte do homem de se igualar ou se aproximar da sabedoria divina. Depois viria a similitude por analogia, a qual Foucault salienta que não é a analogia do modo como se exibe na atualidade, mas seria um ajustamento, como uma junção de duas coisas, e ele próprio dá o exemplo da erva e da terra. Por fim, a quarta similitude, que é a simpatia, ou um modo mais livre de ser ou se aparentar. Neste caso, não há obrigação, pode-se pensar, por exemplo, em uma rosa que quando destinada ao velório tem um tom triste, mas a mesma rosa se utilizada em outra situação feliz, teria outra conotação. Portanto, o que determina o estado da coisa é a simpatia, ou a circunstância à qual é destinada.
No período barroco houve um rompimento com essa forma de pensar, pois até então, esse era o modo correto de se aprender e apreender as coisas. Depois desse período, ainda segundo Foucault, a semelhança já não oferece segurança nas interpretações, podendo ser sinônimo de enganos. Salienta que já em Bacon é possível encontrar uma crítica à semelhança, mas não uma cisão. De acordo com sua análise, mesmo depois que houve essas mudanças, não houve, de fato, a extinção desse pensamento, porquanto para se constatar a diferença e mostrar a sua identidade é necessário submeter toda coisa avaliada à forma da ordem e da medida, assim ele entende que Descartes, Kant e outros pensadores da época trouxeram um avanço, mas não uma mudança profunda, e conclui que até na metade do século XVII a linguagem continua sendo o lugar onde a verdade se anuncia, mas a cultura acabou por adotar a seguinte ideia de representação:
Tais modos de decifração provêm de uma situação clássica da linguagem — aquela que reinou no século XVII, quando o regime dos signos se tornou binário e quando a significação foi refletida na forma da representação; então a literatura era realmente composta de um significante e de um significado e merecia ser analisada como tal.9


Esclarece que de acordo com essa compreensão, a linguagem, os signos e o modo como o sujeito entende o mundo sofre uma transformação, porquanto há uma mudança na objetivação do pensamento. Segundo essa concepção há o representado e o representante e a linguagem será para os clássicos apenas representação. Assim, ele afirma que “o que é próprio do saber não é nem ver, nem demonstrar, mas interpretar” (FOUCAULT, 1990, p. 55)
A obra Las Meninas, de Diego Velásquez, que é também uma forma de linguagem, permite diversas interpretações, mas, de acordo com a análise de Foucault, que considera essa relatividade posta no quadro, logo, as variáveis explicações, há na tela a invisibilidade, mas que ao mesmo tempo se torna sensível. Portanto é algo não visto, mas percebido, sentido. Foucault sugere a presença do próprio Velázquez na imagem e alude que ele aparece num momento em que há uma pausa na pintura, e por esse motivo se torna visível ao espectador, e assim seu olhar se projeta para fora do quadro. Por esse motivo, o pintor observa ao mesmo tempo em que é observado. Pode se pensar que ele é sujeito e objeto, e quem aprecia o quadro está na mesma condição, isto é, o espectador, na condição de observador, é sujeito, entretanto, se for considerado, que ele é observado a partir da tela, torna-se objeto, tal qual o quadro. Segundo a perspectiva de Foucault, o pintor está exposto, mas o espectador também o está. Há uma linguagem que se torna representação, o quadro existe a partir do olhar do observante, e este, por sua vez, existe sob a perspectiva do pintor que o observa mesmo estando postado na tela.

A Semiose Para filosofia Clínica Por Lúcio Packter
Em sua obra, Packter aborda o conceito de Semiose, definindo-o como qualquer forma de expressão encontrada pelo sujeito para extravasar suas emoções autênticas. Para ele, um dado de semiose é constituídoֹ por elementos de transição entre as estruturas de pensamento10 e os submodos11. Ou seja, os dados de semiose são diversos, sendo um bom recurso para expor o que se passa no intimo da pessoa, pode ser alegria, tristeza, raiva, ou qualquer outra emoção que denote o sentimento autêntico. Desta forma, pode se dizer que a semiose é o modo que o sujeito encontra para se comunicar e se expor para o mundo. É como se esse recurso fosse o transporte que leva as emoções para o exterior e que pode mostrar a Estrutura de Pensamento da pessoa, revelando assim, sua intrinsecidade. Packter cita diversos exemplos de como o sujeito pode expressar semioticamente suas emoções. Entre eles, o caso de uma música cantada por uma pessoa, mesmo que de modo incorreto, pode revelar seu estado de espírito; uma pequena homenagem de um filho pode mostrar o quanto ama o progenitor; ou mesmo, o sorriso da pessoa amada, dependendo da forma e da intensidade, permite mostrar o quanto é bom estar em sua companhia; ou ainda um soco na parede, pode extravasar muita raiva. As formas são as mais variadas, mas trazem a emoção ao exterior, podendo, também, causar emoção em outrem. Este recurso, além de diverso, é bastante salutar, uma vez que move as emoções e as colocam em evidência, muitas vezes, de modo inconsciente.
O autor alerta que alguns utilizam apenas uma forma de expressão. Para exemplificar, faz uma comparação às pessoas que falam apenas uma língua, logo, a forma de expressar o que sabem e sentem se dá apenas por uma via, são os monolíngues. Do mesmo modo, uma pessoa que só tem um Dado de Semiose, não consegue utilizar outra forma para dizer o que lhe abala o íntimo, seja bom ou ruim, pode-se dizer que emocionalmente são monolíngues expressionais. Um monolíngue dessa natureza, que utiliza como dado de semiose, somente a escrita, por exemplo, terá sérias dificuldades se lhe tirarem essa possibilidade. Esse indivíduo não conseguirá comunicar ao mundo suas emoções, podendo sentir um vazio ou uma tristeza extrema, correndo o risco, inclusive, de se tornar ensimesmada. Outras pessoas utilizam mais de um recurso para se expressar. Um sujeito dessa natureza, não se vê abatido se for lhe retirado um modo de colocar suas emoções em evidência, porquanto ele facilmente encontrará outras soluções, são aqueles comparados aos plurilíngues expressionais. Packter dá o exemplo de uma garota chamada Dulce12, que foi proibida pelo pai de falar palavrões, entretanto, como ela tinha outros dados de semiose, começou a desenhar corvos, este foi um modo encontrado para dizer os palavrões contidos pelo pai. Contudo, a mãe não concordando com aquele tipo de desenho, impediu que a filha prosseguisse nesta forma de colocar em evidência seus sentimentos. Por fim, Dulce começou tocar piano e se expressar por meio da música de Debussy,13 ora, seus palavrões passaram a soar por meio da melodia. Mas Packter ressalta que há pessoas que não possuem nenhum modo de extravasar suas emoções, são como mudas e num momento de crise se aproximam muito do que seria uma panela de pressão, visto que as emoções não encontram uma válvula que libere o que lhe esta sufocando e causando desespero, tristeza ou qualquer outro sentimento.
O autor esclarece que é possível ao filósofo clínico diagnosticar por meio da historicidade da pessoa qual Dado de Semiose é mais incisivo ou contundente, e qual tem maior relevância na Estrutura de Pensamento da pessoa. Packter cita um exemplo hipotético:
Vamos supor que na Estrutura de Pensamento de Maria, a necessidade de amor é determinante, bem como é quase tão determinante a fé que ela tem em Deus, mas os dados de semiose são apenas periféricos.14

Assim, do modo como se apresenta, o autor chama a atenção para três tópicos mais significativos na historicidade de Maria, sendo eles:
Emoções ---- Pré-juízos ---- Semiose
Neste caso, as emoções estariam relacionadas ao amor ou afetividade e as suas variações; os pré-juízos estariam ligados diretamente à fé que Maria tinha e a semiose que é o modo como a partilhante lida com esses dados. Packter esclarece que para uma pessoa com essa constituição emocional, não importa qual recurso o outro, que objeto de seu interesse, irá utilizar para demonstrar seu amor, pode ser falando ou escrevendo, ou qualquer outra forma. O que importa, no caso de Maria, será sempre receber o amor e ter seus princípios religiosos respeitados. Sendo assim, Packter alerta que o dado de semiose é utilizado apenas como um elo, nada mais que isto, ou seja, ele é importante, mas não determinante. Assim sendo, Maria quer o amor, caso o receba, a pessoa amada pode utilizar o modo que melhor lhe aprouver, que satisfará a receptora. Em casos como esses, o dado de semiose apenas ajuda, mas não é categórico. Por outro lado, se Maria precisasse ser tocada para se sentir amada, não adiantaria em nada uma carta amorosa ou um buquê de flores, se não houvesse o toque seria uma ação incompleta, nesse desenrolar, o dado de semiose já é relevante, pois haveria um modo específico dela sentir que o amor está presente, este modelo emocional poderia se estruturar do seguinte modo:
Sensorial----Emoções----Semiose
Por esta razão, é fundamental ao filósofo clínico encontrar a forma como a pessoa está estruturada e qual é o seu dado de semiose predominante, esse cuidado lhe permitirá uma acuidade maior. Isso é relevante, porque se for considerado que uma pessoa tenha apenas um dado de semiose essencial, ela poderá ter problemas se, por algum motivo, lhe for retirado essa possibilidade de se expressar, como no caso que já foi citado, da escrita. Numa situação desta, pode-se correr o risco da pessoa desencadear sérios problemas, porquanto não terá como expor suas emoções, tornando-se assim, um barril em combustão, prestes a explodir. Isto se dá, por exemplo, no filme “O Solista” que tem a direção de Joe Wright, é uma produção biográfica que narra a vida de Nathaniel Ayers, músico americano, interpretado por Jamie Foxx. Nathaniel foi um violoncelista e violinista, e em determinado período de sua vida passa a ter crises esquizofrênicas, abandonando sua rotina, passa viver nas ruas de Los Angeles, e utiliza a melodia como elo de comunicação com o mundo. Se hipoteticamente, esse músico fosse impedido de tocar e se expressar por esse meio, poderia ter comprometido mais seriamente seu quadro.
Packter salienta que, com raras exceções, o fato da pessoa não ter nenhum dado de semiose pode ser muito sério, pois se o sujeito estiver se sentindo pressionado, não terá como extravasar seus sentimentos. Esses são os casos em que as pessoas se sentem sufocadas, a ponto de poder, por exemplo, matar outra pessoa. Pode-se lembrar do filme Um dia de fúria, com a direção de Joel Schumacher, que conta a estória de um homem desempregado que chega ao seu limite quando fica preso em um engarrafamento no trânsito, e a partir deste instante torna-se absolutamente violento. A personagem abandona seu carro e sai matando pessoas, descarregando a raiva que estava contida até aquele momento. Em partilhantes que não apresentam nenhum dado de semiose, Packter aconselha ao filósofo clínico observar bem a Estrutura de Pensamento da pessoa, pois se ela tiver o Tópico 1 (Como o mundo me parece) fragilizado, a tendência vai ser uma ação externa, podendo ser mais agressiva ou não; se a fragilidade estiver presente no Tópico 2 (O que acha de si mesmo), provavelmente a agressividade se voltará contra a própria pessoa; e assim por diante, dependendo do Tópico em que se apresenta a fragilidade, surgem aí as suas reações.

Tradução:
Packter evidencia que o objetivo principal do filósofo clínico no que tange a semiose é observar o partilhante e “identificar como surgem, [...] como vivem e morrem os dados de semiose ao longo da vida expressos na historicidade da pessoa que se atende.” (PACKTER. 2002, p.39), devendo atentar para o fato de que os dados de semiose podem se associar a outros tópicos. Desse modo poderá se entender como funciona o indivíduo que busca a clínica, tornando mais criteriosa as ações utilizadas. E Packter reforça que:
Semiose é um tópico da Estrutura de Pensamento. É um pré-requisito a um procedimento muito utilizado. Após a historicidade, e o estudo dos meios de expressão que a pessoa usa, o filósofo clínico pode se utilizar então de um procedimento nomeado como Tradução.15

O processo da tradução é justamente observar o dado de semiose e transpô-lo, colocando-o de modo claro e compreensível para a própria pessoa (partilhante), como se fosse a tradução de uma língua estranha e enigmática para outra que o partilhante pudesse compreender. Conhecendo-lhe a Estrutura de Pensamento a ação será mais eficaz. Porquanto, não adianta sugerir, por exemplo, uma ação mais agressiva, se isso não tiver significação para a pessoa que está sob a clínica. Muitas vezes, não surtirá efeito mandá-la dançar ou desenhar, se essas formas de expressão não faz sentido, a ação será infundada e improfícua. Desta maneira, cabe a filósofo clínico averiguar qual dado de semiose será mais preciso em dada situação. E caso a medida não surta o efeito esperado, o correto será buscar alternativas diversas, cuja ação seja significante para o partilhante. Packter sugere, por exemplo, que em dadas situações, ao invés da fala, poderá se utilizar o desenho, se isso, obviamente, fizer sentido na Estrutura de Pensamento do sujeito. Desse modo, o que não puder ser externalizado por meio de um dado de semiose, poderá ser traduzido em outro.
Há aspectos importantes ressaltados pelo autor, porquanto ele entende que os fatores relacionados à quantidade e qualidade são determinantes nestes casos. Pois que se o filósofo clínico qualificar mal uma tradução, ou variar de modo incorreto no grau e na escolha do dado de semiose substituto, poderá causar alguma perda do sentimento e da emoção. Neste caso, haveria grandes chances de comprometer o resultado do trabalho desenvolvido. A agudeza do profissional é determinante neste momento, pois além da tradução correta, tanto em quantidade quanto em qualidade, é decisivo que filósofo clínico saiba que a tradução deve ser utilizada de forma pontual e certeira, uma vez que em muitos momentos, o partilhante sugere uma ação que não deve ser seguida. Portanto é seguro observar a historicidade para se utilizar com segurança os dados se semiose.
Considerações Finais
Para uma boa atuação em Filosofia clínica é necessário ter um bom domínio dos Exames Categoriais, da Tábua de Submodos e da tabela de tópicos da Estrutura de Pensamento. Packter observa que é de suma relevância ter a clareza de que sujeito e objeto estão separados, mas permanecem vinculados. Essa observação remete ao primeiro tópico da Estrutura de Pensamento, que é “Como o mundo me parece”. Esse ensinamento de Lúcio Packter foi fundamentado no famoso pensamento de Protágoras de Abdera, contido em sua obra As Antilogias, em que afirma que “O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são”. Desta maneira, segundo sua concepção há de se considerar o modo particular que cada sujeito tem de interpretar as coisas do mundo. Ora, de acordo com esse modo de pensar, o homem é, de fato, o que dá a verdadeira mensuração para o mundo, com suas crenças, pré-juízos, emoções e todas as particularidades que lhe são inerentes. E mesmo na vida em sociedade, onde há muitas situações em comum, é natural que cada um sustente individualmente suas percepções, e que essa perceptibilidade desemboque na formação de suas crenças e em suas próprias convicções. Esse modo de pensar é reforçado, conforme já foi descrito, pelo próprio Schopenhauer. Ele diz algo muito semelhante ao afirmar que ‘o mundo é minha representação’, e esta é uma forma de estruturar particularmente a percepção de mundo.
Entender esse pensamento é importante, pois é a partir daquilo que o sujeito entende como sendo o mundo, que ele encontra meios para se posicionar, criar conceitos e ideias. De acordo com aquilo que constrói, a partir se suas percepções e apreensões defende o que acredita como verdade. Embasado em suas crenças e julgamentos busca construir seus relacionamentos, sua família, profissão. Enfim, institui e sustenta toda a sua história. Essa atitude acaba por determinar as suas escolhas e isto vai se modelando ao longo da vida. Esses posicionamentos podem ser decisivos para sua vida, determinando se ele será mais saudável ou não, mais amigável, mais pacífico, ou se vai ser uma pessoa mais aguerrida, agressiva. De igual modo, conforme constrói suas certezas, a partir de suas vivências, passa a representá-las no mundo. Por conseguinte se coloca neste mundo, se apropriando daquilo que vai surgindo ao longo da vida. Ao se posicionar, consequentemente, passa da sua condição de sujeito, a representar o mundo como o objeto. Destarte, progressivamente ele vai abarcando aquilo que reconhece; enquanto mede, toma consciência e representa. Seguindo essa linha de raciocínio é possível responder a Carlos Drummond de Andrade, a formiga que está debaixo da terra, sem ser vista, automaticamente não é representada, e só existirá a partir do instante que for mensurada por alguém. De tal modo, é preciso que o sujeito capture o mundo em sua observação, para que este, de fato exista. Pois como afirma Packter, um extraterrestre que muda de cor, se não for visto pelo pipoqueiro da esquina, simplesmente não terá a sua existência mensurada, portanto não será representado. O segundo tópico da Tábua de Estrutura de Pensamento, “O que acha de si mesmo”, também tem chances de ser influenciado por essa relação que o sujeito tem com o mundo. Ele pode, por exemplo, internalizar impressões absorvidas do meio em que está inserido.
Foucault com seus apontamentos, explica as mudanças históricas, especialmente o modo como o homem pensa e se expressa. Esclarece que a semelhança que era considerada algo seguro num determinando período histórico, no tempo seguinte, perde esse status. Sob este aspecto, não oferece mais a segurança de antes. E o que era interpretado sob a luz da similitude, pode ser compreendido por meio de enganos. Foucault não está com isso, sustentando o pensamento de Schopenhauer. Mas na utilização deste trabalho, possibilitou explicar as mudanças ocorridas e como surgiu esse modo de pensar que influenciou Kant e em seguida o próprio Schopenhauer.
Outro ponto relevante é o aprofundamento na arqueologia. Pois que mostra como essas mudanças também influenciaram historicamente a linguagem, cuja importância é indiscutível, porquanto, foi por meio desta, que o homem veio colocando seu selo no mundo, pontuando suas necessidades e construído a história. No contexto deste trabalho, torna-se proeminente, pois o mundo percebido e que precisa, de algum modo, ser representado, pode ser mais facilmente comunicado por meio da linguagem seja pela fala, pela arte, ou qualquer outro dado de semiose. Sob esse aspecto, a linguagem está presente e é a forma mais empregada pelo homem para expressar sua representação e objetivar seu pensamento.
Em se tratando da linguagem falada e das demais formas que o sujeito encontra para expressar e traduzir suas emoções e sentimentos, a obra de Packter salienta o quanto os dados de semiose podem ser importantes. Muitas vezes, é mesmo fundamental para a manifestação daquilo que está no âmago do sujeito. Há de se considerar que, em alguns momentos, é esse movimento que externaliza suas percepções. Packter reforça que os dados de semiose são muitos, e é um modo seguro para o sujeito se manifestar. Portanto, os são igualmente, relevantes em suas variações, porquanto, são formas de linguagem, sendo assim, fundamental para atuação do filósofo clínico.

















Bibliografia:

FOUCAULT, Michel. As Palavras e as Coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Ed. Martins Fontes. 5ª ed. SP.1990
PACKTER, Lúcio. Armadilhas Conceituais. Editora Garapuvu, 2003

In________http://www.filosofiaclinica.com.br/livros%20de%20L%C3%BAcio%20Packter/Armadilha_Conceitual.pdf
PACKTER, Lúcio. Filosofia Clinica: Propedêutica.1997
In________http://www.filosofiaclinica.com.br/livros%20de%20L%C3%BAcio%20Packter/Filosofia_Clnica_-_Propedeutica.pdf
PACKTER, Lúcio. Semiose: aspectos traduzíveis em clínica. Gráfica e Ed. Fortaleza. Fortaleza, 2002
SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo Como Vontade e Representação. Ed. Contraponto. RJ. 2001
STRASSBURGER, Hélio. Pérolas Imperfeitas. Ed. Sulina. Porto Alegre, RS. 1ª Ed., 2012




2 SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo Como Vontade e Representação. Ed. Contraponto. RJ. 2001
3 FOUCAULT, Michel. As Palavras e as Coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Ed. Martins Fontes. 5ª ed. SP.1990
4 PACKTER, Lúcio. Semiose: aspectos traduzíveis em clínica. Gráfica e Editora Fortaleza. Fortaleza, 2002
5 Pesquisa realizada em 18/06/2012
6 Andrade, Carlos Drummond de. A paixão medida, Rio de Janeiro, J Olympio, 1980, p. 14-16
7 PLATÃO. Clátilo. Trad. Maria José Figueiredo. Instituto Piaget, 2001
8 FOUCAULT. As palavras e as coisas, p. 57.
9 FOUCAULT. As palavras e as coisas, p. 60.
10 Estrutura de pensamento (EP): é a malha intelectiva do sujeito que é construída ao longo de sua existência. É composta pelas percepções, formas, movimentos e conceitos que são absorvidos durante a vida. Packter sintetiza como “o jeito existencial da pessoa”, ou a totalidade do sujeito. É Composta por trinta tópicos e é fundamental na Filosofia Clinica.
11 Submodos: É a maneira utilizada pela Estrutura de Pensamento para expressar ou vivenciar, segundo sua conceituação e a sua ação no mundo. Seriam as ferramentas que o sujeito utiliza para resolver sua estada no mundo, para solucionar seus problemas. Seu modo pode ser considerado pelos demais como sendo correto ou não, mas é, sem dúvida, o melhor modo para a pessoa. A Tábua de submodos é composta por trinta e dois tópicos.
12 PACKTER, Lúcio. Semiose: aspectos traduzíveis em clínica. Gráfica e Editora Fortaleza. Fortaleza, 2002
13 Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 1862  1918)  músico e compositor francês.

14 PACKTER. Semiose: Aspectos Traduzíveis em Clínica
15 PACKTER. Semiose: Aspectos Traduzíveis em Clínica, p 40/41