terça-feira, 15 de agosto de 2017

Buber e Ortega, aproximações possíveis e afastamentos notáveis Por José Mauricio de Carvalho

Buber e Ortega, aproximações possíveis e afastamentos 

notáveis


Ortega y Gasset e Martin Buber são nomes fundamentais da filosofia contemporânea. Embora integrados à tradição fenomenológica são autores poucas vezes chamados a conversar. Vamos propor aqui um diálogo entre esses dois pensadores examinando como eles pensam as relações entre os homens, que curiosamente abordam na relação Eu – Tu.
Sintetiza-se, a seguir, as relações que abordam a intimidade do homem quando ele se dirige a outro homem ou às coisas que o circundam, deixando à parte o que os dois autores falam do relacionamento social, os usos e costumes, o convívio em sociedade, isto é, aquela dimensão da intersubjetividade que é objeto da filosofia social, da Sociologia, ou da formação da cultura.
Eis o que os aproximam: 1. Ambos reconhecem que a realidade fundamental do homem nasce da relação entre os homens e que se retirando esse encontro o próprio ser do homem fica comprometido; 2. O reconhecimento da anterioridade temporal do Tu, que é condição para a descoberta do Eu; 3. O entendimento de que o encontro com Deus não é intermediado pelo mundo, é direto, mesmo que não se faça à parte das coisas. Em ambos isso tem, por pano de fundo, a mediação do místico Eckehart quando ele menciona o silêncio de Deus nas coisas e a recusa de tomar Deus como objeto de estudo; 4. A compreensão de que o encontro com as coisas, que se passa no campo da utilidade e dos costumes, é importante para o homem, mas quando há um aumento exagerado dessa importância, o indivíduo perde o fundamental da vida e mergulha na alienação do trabalho inane e sem graça, distanciando-se da vida autêntica.
As diferenças entre ambos são bem mais numerosas. Ortega é um filósofo formado na tradição acadêmica do ocidente, Buber constrói sua filosofia do diálogo tendo por pano de fundo, além dessa tradição, o pensamento judaico: 1. A distinção que Ortega y Gasset faz ao Tu nas relações homem – mulher, não mereceram abordagem separada de Martin Buber e, por sua vez, a tematização do Tu Eterno (Deus), fundamental em Buber, não aparece nos estudos sobre as relações humanas de Ortega; 2. Ortega coloca na vida vivida na primeira pessoa a realidade fundamental e faz dela a base da vida autêntica, Buber encontrará esse elemento definidor do homem não na intimidade dos homens, mas no espaço intersubjetivo que se forma entre o Eu e o Tu onde ocorre o dialógico, ou seja, o intercâmbio das palavras princípio. 3. Ortega não enfatiza a humanidade comum, mas a encontra nas diferenças entre homens e mulheres. Essa humanidade comum Martin Buber toma dos neokantianos, como também fez Karl Jaspers e se baseia na crença de que vivemos em comum as limitações, sofrimentos e culpas; 4. A extensão da relação Eu – Tu para um objeto social como a comunidade, hipótese aceita por Buber, foi recusada por Ortega y Gasset. 5. Para Ortega o eu concreto, realidade fundamental, nasce como para Buber numa experiência posterior ao tu, mas a relação entre eles, diversamente de Buber, é secundária e não fundamental. 6. A relação Eu – Tu, segundo Ortega, transporta o sujeito para a realidade do perigo, viver parece-lhe arriscado não só porque se tem que escolher sem garantias, mas porque o outro é alguém que limita e ameaça, embora também possa trazer boas experiências. Esse entendimento é diverso de Martin Buber, para quem o encontro entre os homens é o que revela a humanidade do homem, propicia um tipo de relacionamento total que contempla o respeito pelo outro. Todas as outras experiências caem para o tipo Eu – Isso.
José Mauricio de Carvalho

Academia de Letras de São João del-Rei

sábado, 22 de julho de 2017

A vida como encontro | José Mauricio de Carvalho

A vida como encontro

Não há fato mais banal que o reconhecimento de que a vida humana se tece nos relacionamentos. Essa é uma realidade decorrente do caráter social do homem. No entanto, quando pensamos a vida humana como encontro queremos dizer mais do que simplesmente que estamos ao lado dos outros e que nos tocamos mutuamente. Autores importantes como Ortega y Gasset e Martin Buber, embora pensem a vida humana diversamente, destacam relevância da vida como encontro.
Buber pensará o tu como um mundo próprio, diante de quem é possível estabelecer o encontro. Seu olhar perspicaz si dirige para o que ocorre no momento do encontro e ele destacará a importância do que ocorre entre os dois eus, ambos serão moldados pelo entre que surge entre eles. E ainda mais significativo é o fato de cada Eu descobrir que esse Tu a quem cada qual dirige a palavra pode ser o próprio Deus. Esse Deus que Buber insiste devemos chamar de Tu, ou Grande Tu, é o mesmo que Jesus de Nazaré chamou de Pai. Nesses dois casos o que se destaca é a relevância da intimidade desse encontro com Deus. E Buber destacará o fato de que num mundo em que Deus não se mostra facilmente a construção de uma vida autenticamente humana fica dificultada e a relação com outros homens como Tu fica prejudicada. O horizonte existencial do homem se limita ao encontro o isso, que é a forma do pensador se referir às coisas.
De modo semelhante Ortega destacará o encontro com o Tu na vida pessoal, mas o foco para Ortega não é o entre os interlocutores, mas a experiência da outra perspectiva na minha vida. Cada qual vive a própria existência e a experimenta como radical solidão. O que se passa com o outro é um episódio a que assisto, sua dor de dente dói nele. Posso imaginar que sofre, mas não posso vivê-la por ele, mas posso me educar assim. Apenas o indivíduo pode ocupar seu lugar no espaço e apenas ele pode escolher sua própria trajetória existencial. Sua referência fundamental é a cultura como a realidade de referência que é capaz de orientar a existência de forma autêntica pelo balizamento do que o pensador denomina fidelidade ao núcleo mais íntimo de si e respeito aos outros.
É importante destacar que em ambos os pensadores o encontro é a base de uma existência autenticamente humana e em ambos a presença do outro (Tu para Buber e o Nós para Ortega) é anterior à consciência subjetiva, isto é, à descoberta de nossa vida singular ou de nosso eu. E assim, num e noutro caso a educação é o elemento decisivo na construção de uma vida humana, educação não apenas como aprendizagem do funcionamento do mundo natural, mas educação enquanto preparo para viver em sociedade como cidadão e para conviver humanamente.
Os esclarecimentos e aprofundamentos desses pensadores confirmam o que a Psicologia identificou, percebe-se a enorme importância de encontros pessoais e intensos como parte de uma vida humana. Encontros que são fundamentais na infância, embora conservem sempre esse caráter pedagógico. Encontro não significa a destruição de cada eu, mas sua afirmação diante do Tu, como diz o poeta: “que tenho de ver-te e não te posso ver, de ti separado por meus próprios olhos; que estás aí sentada, nascida tão totalmente fora de mim, isso me dói, como dores de parto”. Assim, de um lado é importante cuidarmos da educação de nossas crianças na formação de sua humanidade, por outro esse é processo de que devemos sempre nos ocupar. Esses encontros fundamentais são pautados na ética e no amor, ou em ambos.
José Mauricio de Carvalho

Academia de Letras de São João del-Rei

quarta-feira, 31 de maio de 2017

XV Encontro Mineiro de Filosofia Clínica / II Diálogo Nacional em Filosofia Clínica

PROGRAMAÇÃO:
(35 vagas)

Dia 12 de outubro (quinta feira)

11:00hs  às 13:30hs:  Credenciamento
14:00hs: Abertura dos trabalhos
Profs. Márcio José/IMFIC, Izabel Cristina /IMFIC, Marta Claus/IMFIC, Kélsen Melo/IMFIC-BH
14:30hs: O consultório como lugar de formação contínua do Filósofo Clínico
Profa. Ana Cristina da Conceição/ IMFIC - São João del-Rei
15:15hs: A relação corpo e mente: as contribuições da Filosofia Clínica para a compreensão do estresse na busca do equilíbrio da saúde.
Profa. Marta Batalini /IMFIC – Uberlândia
16:00hs às 16:20hs: Pausa para café 
16:20hs: Aconselhamento filosófico no consultório
Maria da Conceição Silva / Filósofa Clínica  – Aconselhadora Filosófica - Portugal
17:00hs: Relato de caso clínico
profa. Izabel Cristina Pereira /IMFIC-Poços de Caldas
17:50hs: Encerramento

Dia 13 de outubro (Sexta feira)

9:00hs: Filosofia clínica e as terapias alternativas: como se faz no consultório
Patrícia de Cássia Oliveira /IMFIC - Juiz de Fora e Montes Claros
9:50hs:  Filosofia Aplicada à pessoa: dialogando com José Barrientos Rastrojo
Leonardo Ricco Medeiros / IMFIC – Batatais-SP
10:40hs: Pausa para o café
11:00hs:  A filosofia de Giorgio Agamben e a Filosofia Clínica

Gláucia Tittanegro /Recanto da Filosofia Clínica – São Paulo - SP
11:50:hs: Pausa para almoço
14:00hs: Meu consultório é na rua: depoimento do inusitado
Marcio José A. Silva /IMFIC - Campinas
14:50hs:  Questões psiquiátricas no consultório Filosófico.
Marta Claus/IMFIC-BH-Ipatinga
15:40hs: Pausa para o café
16:00hs:  Lançamento da Revista Partilhas, ano IV número IV, 2017.
17:50hs:  Encerramento

Dia 14 de outubro (sábado)

9:00hs: Mesa redonda com os todos os professores do IMFIC.
Cada professor fará uma pequena explanação da FC em seu polo.
10:30hs: Pausa para o café
10:50hs: Papo Reto
Perguntas dos participantes aos professores e convidados
12:00hs: Pausa para o almoço
14:00hs: Entrega de Certificados/ Orientações Gerais

INSCRIÇÕES:  (somente 35 vagas) 

Para efetuar sua inscrição envie um e-mail para martaclaus@yahoo.com.br e imfic@imfic.org contendo os seguintes dados:
Nome completo (para certificado), RG, CPF, Endereço atualizado e comprovante de pagamento de inscrição.
Valor da taxa: R$ 70,00 a serem depositados no banco Itaú,  agência: 1430 conta poupança 18507-2 em nome de Kélsen André Melo dos Santos.


Dica: BH é a capital nacional do "Buteco" e sábado à noite é muito interessante e cultural a ida a algum deles, especialmente nos da charmosa "Savassi". Domingo pela manhã não deixe de ir à Feira de Arte e Artesanato da av. Afonso Pena que é maior da América do Sul com mais de 2.500 expositores. (http://www.feirahippiebh.com/). Há também o Palácio das Artes onde podem ser vistas exposições de arte, shows musicais, tomar um delicioso café e visitar a livraria O Circuito Cultural Praça da Liberdade é o maior conjunto integrado de cultura do Brasil. O projeto foi desenvolvido pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Cultura em parceria com empresas da iniciativa privada. Os antigos prédios públicos foram transformados em espaços interativos que buscam espelhar a diversidade: acervos históricos, artísticos e temáticos; centros culturais interativos; biblioteca e espaços para oficinas, cursos e ateliês abertos; além de planetário, cafeterias, restaurantes e lojas.   (http://circuitoculturalliberdade.com.br )



INFORMAÇÕES ÚTEIS

RESERVE SEU HOTEL O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL POIS A DATA COINCIDE COM FERIADOS.

Hotéis Perto do evento:

Bristol Golden Plaza Hotel 
Rua rio de Janeiro 1436 (na mesma rua do evento)
Diária a partir de: R$ 170,00
Hotel perto da conexão aeroporto, bares, restaurantes e cafés.

Praça da Liberdade Hotel
Av. Brasil 1912 (1,6 km do local do evento)
Diárias a partir de: R$ 130,00
Hotel perto de bares, restaurantes, cafés, circuito cultural Praça da Liberdade, Centro Cultural Banco do Brasil e Galerias de Arte.

Hotel Boa Viagem
Rua Bernardo Guimarães 1323 (1,5 km do local do evento)
Diárias a partir de R$ 90,00 (hotel simples)
Hotel perto de bares, restaurantes, circuito cultural Praça da Liberdade, Centro Cultural Banco do Brasil e Galerias de Arte.

Ibis Liberdade /Belo Horizonte
Av. João Pinheiro 602 (1,6 km do evento)
Diárias a partir de R$ 140,00